Mundo Flutuante – Daniel Seda

Mundo Flutuante – Daniel Seda é o resultado de uma experiência em parceria com o extinto Instituto Volusiano de Artes, a partir da observação do encontro entre artista, obra e público, da interação entre essas partes e da inversão de sentidos como elementos fundamentais na constituição do conceito de arte contemporânea. Realizado em 2014, também partiu da percepção da ausência de um programa que falasse da interação entre arte e cidade e que, ao mesmo tempo, revelasse as identidades das pessoas que são seus atores. A ideia, em um primeiro momento, foi criar o piloto de uma série de vídeos em formato de “pílula” que trataria desses temas e que poderiam ser exibidas em canais nacionais da tv aberta ou a cabo. O que faria a ligação entre os capítulos é a premissa desse primeiro roteiro: o apresentador, com um celular na mão, sai em busca da intervenção urbana, a encontra e, a partir daí, passa a buscar pela cidade o autor da obra, para conversar não sobre a obra visitada, mas sobre sua visão de mundo e, principalmente, sobre a arte. Este piloto foi o único vídeo produzido.

O mote para a criação do vídeo foi o acompanhamento da instalação/performance OFU – Objetos Flutuantes Urbanos, do artista Daniel Seda, cujo registro integraria sua exposição O MUNDO FLUTUANTE DE DANIEL SEDA, realizada na galeria do Instituto Volusiano. Também entrevistei o artista no quintal do Instituto e, para amarrar a ideia, foram somadas ao material bruto imagens por mim gravadas nos trajetos que percorri pela cidade em busca da obra, do artista, ou ainda em andanças pelas regiões da linha verde do metrô enquanto acompanhava, na qualidade de público, a programação da MITsp (Mostra Internacional de Teatro) daquele ano, se não me engano em sua primeira edição. No momento da edição, Guilherme Fogagnoli (KID) – que assina a montagem e a codireção – deu prioridade às imagens realizadas no interior do metrô, em suas estações, trens e túneis, o que faz no vídeo a ligação entre a obra instalada na saída de ar e o metrô em si, produtor do “vento” que ativa a instalação/performance.

Como curiosidade, vale destacar alguns pontos: o material bruto foi registrado ao longo de três meses, nas situações e regiões mais diversas da cidade de São Paulo. A partir do agendamento do primeiro encontro, eu realmente me desencontrei do artista por diversas vezes e só consegui entrevista-lo dois meses depois. A montagem só começaria a ser feita outros três meses depois da gravação. Espécie de “Frankeinstein descolado”, as imagens provém de diversas fontes: a entrevista foi filmada pelo fotógrafo Emerson Celtic; as imagens da obra são retiradas do vídeo-registro da instalação/performance, realizado pelos artistas Rogerio Borovik e Eduardo Verderame; as imagens que fiz com telefone celular –  estopim da ideia -, coincidência ou não, resultou em um formato similar ao das ainda inexistente stories. O programa inicialmente chamaria “Fome de Quê?”, motivo de uma pergunta repentina no final da entrevista e ideia que abandonei na última hora em função de uma série de programas sobre culinária que passavam então na TV. Na abertura, a canção Artista é o Caralho, de Rubinho Jacobina, dá o tom bem humorado e ironiza o setor comercial da arte.

Sobre essa colcha de retalhos, encontros, pesquisa de formato e linguagem, sobressai a obra e o pensamento de Daniel Seda, um artista potente, atento e sensível, que saber falar com propriedade e poesia da sua visão sobre a função e o sentido da arte no mundo de hoje. Divirtam-se.

FICHA TÉCNICA

Criação e apresentação | Cacá Toledo

Direção | Cacá Toledo e Guilherme Fogagnoli (KID)

Artista convidado | Daniel Seda

Obra retratada | OFU – Objetos Flutuantes Urbanos, 2014

Montagem | Guilherme Fogagnoli (KID)

Imagens | Cacá Toledo (celular), Hemerson Celtic (entrevista) e Rogério Borovik / Eduardo Verderame (obra)

Produção | Cacá Toledo

Parceria | Instituto Volusiano de Artes

Agradecimentos | Paulo Sokobauno e Karen Viegas

Realização | Toledo Criações